Apresentando o inesperado… Ford Mustang!

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No dia 17 de Abril de 1964 os Estados Unidos parou diante do lançamento de um novo carro. Sua apresentação foi na Feira Mundial de Nova Iorque, no dia anterior um comercial foi veiculado no horário nobre da televisão e ele foi pace car de uma corrida da NASCAR. O carro era pequeno e tinha linhas esportivas de influencia européia, o preço era apenas 2.368 dólares. A sua produção tinha começado em 9 de Março, no dia do lançamento, em Abril, todas as concessionárias do pais já tinham recebido o carro. Essa foi uma jogada de risco do executivo Lee Iacocca, o lançamento de um carro pequeno nos EUA dos anos 60 podia ser um tremendo fracasso ou um grande sucesso. No primeiro dia foram vendidas 22 mil unidades desse carro, em muitas cidades as unidades de pronta entrega foram disputadas a tapa. Em Garland, Texas, os carros foram vendidos tão rápido que o último foi leiloado e o vencedor dormiu no carro até o banco aprovar o seu cheque no dia seguinte para garantir que outra pessoa não comprasse o carro. Qual é o nome desse carro? Ford Mustang

O comercial que parou os EUA

O Mustang foi lançado já como modelo 65 e com dois tipos de carroceria, coupé hardtop e conversível, sua plataforma era compartilhada com o Ford Falcon. No lançamento os motores disponíveis eram um 6 cilindros em linha de 2,8 litros (170 pol³) e 102 cv, um V8 4,3 (260 pol³) de 166 cv, um V8 4,7 (289 pol³) de 213 cv ou uma versão mais forte do 4,7 (289 HiPo) de 275 cv, a transmissão podia ser automática de 3 marchas, manual de 3 marchas ou manual de 4 marchas com todos motores exceto o 289 HiPo, que só podia vir com a manual de 4 marchas.

O preço baixo e o estilo esportivo conquistaram os consumidores

O preço baixo e o estilo esportivo conquistaram os consumidores

Os grandes trunfos do Mustang eram o seu preço e as possibilidades de customização. Pelo preço inicial era possível levar pra casa um carro com motor 6 cilindros econômico e cambio manual de 3 marchas com alavanca no assoalho já equipado com aquecimento, luz no porta luvas, volante esportivo de três raios, bancos individuais com um apoio de braço entre eles, 15 opções de cores para a carroceria e 5 para o interior. Dentre os opcionais tinham os motores V8 mais potentes, cambio manual de 4 marchas ou automático de 3, servo freio, direção hidráulica, capota elétrica para o conversível, console central, rádio AM, ar condicionado, faixas decorativas nas laterais, pneus de banda branca, rodas esportivas, bateria reforçada, suspensão mais firme com direção mais direta e o Rally Pac, que consiste em um tacômetro e um relógio analógico instalados na coluna de direção. Mesmo quando equipado com opcionais o preço do Mustang ainda era baixo, fazendo dele uma boa opção para pessoas que procuravam um carro estiloso e prático para o dia a dia ou para quem queria um esportivo (um 289 HiPo podia chegar a 100 km/h em menos de 8 segundos).

Tinha Mustang para todos os gostos

Tinha Mustang para todos os gostos

Em Agosto de 1964 o Mustang passou por algumas pequenas mudanças mecânicas, o gerador foi substituído por um alternador, o motor 260 foi abandonado em prol de um 289 com carburador de corpo duplo e 203 cv, o 6 em linha cresceu para 3,3 litros (200 pol³ e 122 cv). Um novo estilo de carroceria também foi lançado: o fastback, que veio junto do pacote de opcionais GT, que podia ser equipado em qualquer Mustang com motor V8. Nesse pacote vinha painel de instrumentos diferenciado, grade exclusiva com luzes de neblina e freios a disco na dianteira. Os carros produzidos antes de Agosto de 64 são informalmente chamados de 1964 ½.

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“In 1964, when Lee Iacocca said, ‘Shelby, I want you to make a sports car out of the Mustang,’ the first thing I said was, ‘Lee, you can’t make a race horse out of a mule. I don’t want to do it.’ He said, ‘I didn’t ask you to make it; you work for me.'”

“Em 1964, quando Lee Iacocca disse, ‘Shelby, eu quero que você faça do Mustang um carro esportivo’, a primeira coisa que eu disse foi, ‘Lee, você não pode transformar uma mula num cavalo. Eu não quero fazer isso.’ Ele disse, ‘eu não pedi para você fazer isso, você trabalha pra mim’”

Essa é uma citação de Carroll Shelby, ex piloto campeão das 24 horas de Le Mans e construtor de carros de corrida. O esportivo feito sobre o carro de secretária (era assim que Shelby se referia ao Mustang) se chamava Shelby GT350 e foi apresentado no dia 27 de janeiro de 1965 na feira mundial de Nova Iorque O GT350 começava como um Mustang fastback com motor 289 HiPo e pintura Wimbledon White. Esses carros eram enviados da fábrica de San Jose, Califórnia, para a oficina de Shelby em Los Angeles e lá o motor era preparado, elevando a potencia para 310 cv, o eixo traseiro de Falcon era trocado pelo do Galaxie, os freios recebiam discos Kelsey-Hayes na dianteira, a transmissão era trocada por uma caixa Borg Warner T-10 de 4 marchas e as rodas eram de magnésio feitas pela Cragar, alguns carros tiveram a bateria movida para o porta malas. Por dentro o GT350 não recebeu equipamentos, apenas perdeu o banco traseiro, ficando o estepe em seu lugar. 34 unidades eram GT350 R, modelo depenas e pronto para competir nas provas do Sports Car Club of America (SCCA).

“It was fun to blow off a Porsche with a $3900 donkey.” “Foi divertido deixar pra trás um Porsche com um burro de $3900” Carroll Shelby sobre o GT350

Na linha 66 o Mustang recebeu pequenas alterações cosméticas, novas grades, calotas e emblemas, a transmissão automática passou a ser oferecida também nos carros equipados com o motor 289 HiPo. O Shelby GT350 ficou mais luxuoso por dentro, passando a vir com banco traseiro, e também passou a ser oferecido com cambio automático, Além disso, ganhou outras opções de cores além do branco e passou a vir com janelas na coluna traseira. Um compressor mecânico Paxton era oferecido como opcional para o GT350, isso elevava a potencia para 446 cv, apenas 11 fora vendidos.

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A locadora de veículos Hertz fez um pedido de 1001 GT350 a Carroll Shelby em 66, esses carros fariam parte do programa Rent-a-Racer. As cores disponíveis eram as mesmas do GT350 comum, porém as faixas eram douradas, 800 deles tinham pintura preta, apenas 85 tinha cambio manual. Muitos carros eram devolvidos para a locaroa com sinais claros de que foram usados em corridas, com pedaços de adesivos mal removidos, mascas de solda de gaiolas de proteção e desgaste acentuado dos pneus e dos freios. Algumas pessoas alugavam o carro, removiam o motor, o colocava em seus carros de corrida e depois devolviam o motor para o carro alugado e o entregava para a Hertz. Depois de um tempo sendo usados como carro de aluguel, esses GT350 voltaam para a Ford, onde eram reformados e vendidos para o público como Shelby GT350-H.

Why rental? Because race car

Why rental? Because race car

Depois de três anos sem passar por mudanças, o Mustang passou por sua primeira reestilização em 1967. Ele cresceu em todas as medidas e ficou mais espaçoso por dentro e no cofre do motor, permitindo a instalação de motores big block. As linhas ficaram menos suave e a caída do teto do fastback terminava no final da carroceria, eliminado o terceiro volume. Debaixo do novo capô aumentado podia vir os mesmos motores 200 e 289 dos anos anterior ou o big block 390 (6,4 litros) com carburador de corpo quádruplo e 324 cv.

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O Shelby GT350 recebeu dianteira e traseira exclusivas e também podia vir como conversível. Um Mustang Shelby ainda mais potente foi lançado em 67, o GT500. O motor do GT500 era o big block 428 Police Interceptor de 360 cv usado nos Custom e Galaxie da polícia. O compressor mecânico Paxtom ainda era oferecido para o GT350.

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No ano seguinte o Mustang passou apenas por pequenas alterações cosméticas, recebendo nova grade, novas calotas e opções de adesivos decorativos, por dentro ganhou volante acolchoado para machucar menos o motorista em caso de acidente. Os motores 289 foram trocados por duas opções do novo 302 (4,95 litros), uma com carburador de corpo duplo e 213 cv e outro com carburador quádruplo e 233 cv. O 390 agora podia vir com carburação dupla e 274 cv. No decorrer de 1968 a Ford passou a vender por encomenda o motor 428 Cobra Jet de 340 cv, que transformava o Mustang num carro de arrancada que podia ser emplacado. O Mustang 68 ficou famoso por ter sido usado por Steve McQueen no filme Bullitt.

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Os Mustang Shelby de 68 tiveram a dianteira redesenhada, os faróis de neblina deixaram de ser redondos para serem retangulares. O GT500 deixou de usar dois carburadores quádruplos para usar apenas um e o GT350 agora usava um 302 de 254 cv ou 340 cv com o compressor Paxton. Nesse ano estreou o GT500 KR (King of the Road), com o novo 428 Cobra Jet de 406 cv, indução forçada (Ram Air) e diferencial de deslizamento limitado.

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Em 1969 o Mustang cresceu novamente, ficando mais longo e pesado. O design ficou mais agressivo e todos os modelos vinham com faróis duplos. Um novo motor 6 cilindros de 250 pol³ (4,1 litros) e 157 cv passou a ser oferecido para cobrir a diferença entre o 200 e o 302. Para cobrir o espaço entre o 302 e o 390 veio o small block 251 (5,8 litros), que produzia 253 cv com carburação dupla ou 294 com carburação quádrupla.

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Na linha 69 alguns modelos novos estrearam, o primeiro foi o Mach 1, com aparência esportiva. Por fora ele era identificado pela carroceria fastback (agora chamado de Sportsroof), capô com pintura preta fosca e travas de segurança, ponteiras de escape cromadas, splitter dianteiro, spoiler traseiro, rodas esportivas, pneus Goodyear Polyglass e persiana no vidro traseiro. O Mach 1 só podia vir com os motores 351, 390 e 428. Outro modelo que estreou em 69 foi o Grandé, um Mustang luxuoso com 25 kg adicionais de isolamento acústico, suspensão macia e interior mais bem acabado. A carroceria do Grandé era sempre hardtop.

Larry Shinoda, um dos pais do Crovette Sting Ray, foi o responsável pela versão de homologação do Mustang para correr na Trans AM, Boss 302, e acabar com o reinado do Chevrolet Camaro na categoria. O motor era o 302 Windsor com cabeçotes do 351 Cleveland, bielas forjadas e preparado para trabalhar em altas rotações. A potencia declarada era de 294 cv, mas testes feitos em dinamômetro indicam mais de 380 cv.

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O outro chefe de 1969 foi o Boss 429, feito para homologar o novo big block 429 (7 litros) para correr na NASCAR. O motor do Boss 429 gostava de girar, ele era limitado eletronicamente a 6.200 rpm, mas podia chegar até 9.000 rpm. A potencia máxima declarada era 380 cv, mas na verdade passa de 500 cv. A bateria foi movida para a traseira do carro e o diferencial era de deslizamento limitado.

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Os Mustang Shelby de 1969 foram redesenhados pela Ford, deixando Carroll Shelby fora do processo. O GT350 agora usava motor 351, o GT500 continuava com o 428. As vendas dos Mustang Shelby de 69 foram muito baixas, obrigando a Ford a remarcar o número do chassi dos carros  que não foram vendidos e vendê-los como modelo 1970. No verão de 1969 Carroll Shelby terminou o seu acordo com a Ford.

Apesar de estar sorridente na fotom Carroll Shelby não estava muito contente com a Ford em 1969

Apesar de estar sorridente na foto Carroll Shelby não estava muito contente com a Ford em 1969

Na linha 1970 o Mustang passou por uma leve reestilização para deixar o design menos agressivo e o modelo GT foi aposentado, sendo substituído pelo Mach 1. Mecanicamente as únicas mudanças foram o fim do motor 390 e a troca dos 351 Windsor pelo 351 Cleveland. Os modelos Boss 302, Boss 429 e Mach 1 tiveram as faixas decorativas redesenhadas.

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O Mustang passou por sua maior reestilização em 1971, ficando maior e mais pesado, entretanto a plataforma continuava sendo basicamente a mesma do Falcon 64. As opções de carroceria continuavam sendo hardtop, sportsroof e conversível e os modelos ser resumiam ao básico, Grandé, Mach 1 e Boss 351. Os motores perderam uma pouco de potencia, o 250 produzia 147 cv, o 302 213 cv, o 351 com carburação dupla 243 cv, o 351 quadrijet 289 cv, o novo Boss 351 335 cv, o 429 Cobra Jet 375 cv e o 429 Super Cobra Jet 380 cv. Um Mustang Mach 1 protagonizou uma perseguição no filme 007 – Os Diamantes São Eternos.

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As vendas caíram, a procura por carros esportivos estava ficando cada vez menores devido a pressão das seguradoras e das normas de emissão, na linha 72 os motores Boss 351 e 429 foram abandonados e os remanescentes perderam potencia. Em 73 os piscas passaram a ser montados na grade e os pára-choques feitos de uretano. Um Mustang Mach 1 1971 caracterizado como modelo 73 estrelou a perseguição de 34 minutos do filme 60 Segundos de 1974.

A Eleanor do 60 Segundos de 1974

A Eleanor do 60 Segundos de 1974

Durante esses 9 anos foram produzidos 2.979.081 Mustangs, o sucesso do pony car foi tão grande que consolidou uma nova categoria no mercado norte americano e influenciou fabricantes no mundo todo. Carros como o Toyota Célica, Ford Capri e Mitsubishi Galant GTO são claramente inspirados no Mustang. O resto dessa história vocês já conhecem.

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Um comentário sobre “Apresentando o inesperado… Ford Mustang!

  1. “A potencia máxima declarada era 380 cv, mas na verdade passa de 500 cv.”
    Impressionante. Vai fazer isso hoje pra ver…
    O 68 fastback é meu ‘stang clássico preferido, já vi um desses e é um carro belíssimo.

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