Cadet – O pequeno Chevrolet do futuro

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A General Motors é o maior fabricante de automóveis dos Estados Unidos, seus carros e caminhonetes sempre estão no topo das listas de vendas, mas ela nunca conseguiu fazer um carro compacto bem sucedido. Corvair, Vega, Chevette, Cavalier, Sprint, Cobalt, Aveo, Spark e Sonic são algumas das tentativas da Chevrolet, a divisão de maior volume da GM, de vender carros pequenos mas nenhuma delas foram bem sucedidas no mercado, apesar de não serem carros ruins. Isso poderia ser diferente se a decisão certa fosse tomada em 1947.

Prevendo uma recessão pós-guerra, C. E. Wilson, presidente da GM, anunciou em Maio de 1945 que a Chevrolet lançaria um carro compacto custando menos de 1.000 dólares nos próximos anos. Os carros das três grandes americanas nesse período eram versões requentadas dos carros feitos antes da guerra, sedans e coupés grandes, com espaço para seis passageiros e movidos por motores de seis ou oito cilindros.

O Chevrolet Fleetmaster 1947, exemplo de um tradicional carro americano dos anos 40

O Chevrolet Fleetmaster 1947, exemplo de um tradicional carro americano dos anos 40

O projeto do Chevrolet compacto foi chamado de Cadet e era chefiado pelo engenheiro Earle Steele MacPherson, que havia trabalhado em vários outros fabricantes até ser contratado pela GM em 1934. No inicio MacPherson estava usando lastros em um Chevrolet comum para simular os diferentes layouts mecânicos, isso eliminou a idéia de usar motor traseiro. A configuração definitiva foi mais tradicional com o motor na dianteira e tração traseira, mas com o cambio localizado abaixo do banco dianteiro para maximizar o espaço na cabine. O motor era conectado ao cambio por um tubo rígido de 4 polegadas de diâmetro e outro tubo ligava o cambio ao diferencial na traseira, um esquema parecido com o que foi usado no Pontiac Tempest de 1961. O motor também era novo, um seis cilindros em linha com comando no bloco de 133 pol³ (2,1 litros), levemente sobrequadrado (diâmetro maior que o curso dos pistões) de 65 cv que era capaz de fazer 12 km/l e ter velocidade de cruzeiro de 112 km/h.

Earle Steele MacPherson

Earle Steele MacPherson

O Cadet previa vários elementos que são comuns nos carros de hoje como a embreagem com atuação hidráulica, pedais suspensos, estrutura monobloco e a suspensão McPherson (sem o “a” no Mc). Earle criou essa suspensão independente para o Cadet, que a usaria nas quatro rodas, sendo a dianteira montada num subchassi. As suspensões independentes tinham curso longo, o que dava estabilidade e conforto excepcionais para os padrões da época. Outro recurso para otimizar o espaço interno no Cadet foi o uso de rodas de 12 polegadas posicionadas nas extremidades da carroceria

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Cutaway do Cadet

O resultado final foi um carro de 998 kg com entre eixos de 274 cm e espaço para quatro passageiros. Com a proximidade do lançamento chegaram os cortes de custos pedidos pelos executivos, preocupados de que o Cadet não atingiria a meta de vendas para amortizar os custos do projeto. O principal desses cortes foi a adoção de um eixo rígido com mola semi-elíptica. Em Setembro de 1947 Earle S. MacPherson saiu da General Motors e foi contratado pela Ford, o projeto do Cadet continuou por um tempo até ser finalmente cancelado pelo presidente da Chevrolet. Seis protótipos foram feitos, sendo os dois últimos com o eixo rígido. Como é de costume na industria, eles foram destruídos, mas um sobreviveu até receber o mesmo fim em 1968, curiosamente o mesmo ano que o projeto do Vega começou.

Uma das poucas fotos do Cadet, mostrando o estilo moderno para a época com rodas cobertas.

Uma das poucas fotos do Cadet, mostrando o estilo moderno para a época com rodas cobertas.

Na Ford Earle MacPherson trabalhou no novo motor de seis cilindros, a sua revolucionaria suspensão independente finalmente estreou no Ford Vedette francês de 1949. Ele ficou no cargo de engenheiro chefe da Ford até se aposentar em Maio de 1958, dois anos antes de morrer. A General Motors só foi adotar a suspensão MacPherson em 1980 no Chevrolet Citation, um dos compactos mais mal-sucedidos da marca.

O Cadet foi a chance da GM de fazer um carro barato para mover os EUA no pós-guerra como foi o Fiat 500 na Itália, o Citroen 2CV na França e o VW Fusca na Alemanha. Mas a preocupação dos executivos com o lucro acabou matando essa pequena jóia mecânica e atrasou a modernização dos carros americanos. A invasão dos Volkswagens no mercado americano nos anos 50 mostrou o tamanho do erro da GM, que só voltou a pensar em carros compactos em 1960 com o Chevrolet Corvair, o Pontiac Tempest, o Buick Special e o Oldsmobile F-85.

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