O dia em que a Toyota criou um carro esportivo e não sabia o que fazer com ele

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Por que um grande fabricante faz um superesportivo? Lucro é o último motivo, geralmente fazem para comemorar uma data importante, mostrar tudo que a engenharia deles é capaz ou apenas para revigorar a imagem, trazendo mais pessoas para o showroom. Fazer um superesportivo serve também para provar a qualidade de um fabricante novo em ascensão.

No caso da Toyota o problema era a imagem, nos anos 60 ela era considerada como o fabricante mais conservador do Japão. Ela já fazia o pequeno esportivo Sports 800, com motor 2 cilindros boxer de 45 cv, mas ele sozinho não conseguia melhorar a imagem da Toyota.

A Toyota fazia bons carros, mas nada que despertasse o interesse dos entusiastas

A Toyota fazia bons carros, mas nada que despertasse o interesse dos entusiastas

A salvação veio da Yamaha, o fabricante de motocicletas e pianos estava desenvolvendo um esportivo em conjunto com a Nissan. A parceria acabou quando a Nissan desistiu do grand tourer em prol de continuar com os pequenos roadsters Fairlady. Logo a Yamaha apresentou a proposta para a Toyota, que aprovou, mas exigiu que o estilo fosse feito por um designer de sua equipe. Satoru Nozaki desenhou um coupé com linhas suaves, que praticamente dispensava pára-choques e tinha grade parecida com a do Sports 800.

O GT da Toyota era extremamente pequeno, media 417 cm de comprimento e a altura era de 116 cm. Por causa do tamanho diminuto os faróis eram escamoteáveis por causa de uma exigência californiana de altura mínima do conjunto óptico. Por dentro ele era bem acabado e oferecia conforto, contanto que o motorista não seja muito alto, a madeira do painel era a mesma usada nos pianos da Yamaha.

O coupé foi batizado de 2000GT em alusão ao motor 6 cilindros em linha de 2 litros. O propulsor 3M veio do sedan Crown, recebeu três carburadores Solex 40 PHH de corpo duplo e cabeçote feito pela Yamaha com fluxo cruzado e comando duplo. Essas melhorias fizeram o pequeno 6 cilindros produzir 150 cv a 6.600 rpm, o suficiente pra levar o GT de 1.120 kg a 100 km/h em 8,2 segundos e atingir 217 km/h de máxima. O cambio era manual de 5 marchas com diferencial de deslizamento limitado e os freios eram a disco nas quatro rodas.

A primeira aparição pública do 2000GT foi no salão de Tóquio em 1965, com a produção iniciando na fábrica da Yamaha em 1967. Esse foi um lançamento que abalou o mundo automotivo por ser o primeiro supercarro japonês e pelo preço de 6.800 dólares, equivalente a quase dois Jaguares E-Type. Apesar do preço alto, a Toyota não lucrava com as vendas do carro.

Protótipo do 2000GT de 1965

Protótipo do 2000GT de 1965

O comportamento dinâmico dele foi muito elogiado pelas publicações especializadas, mas a Toyota não queria que o 2000GT fosse elogiado apenas como carro de rua, ele também deveria brilhar nas pistas. Dois carros foram modificados para correr no Japão, conseguindo bons resultados como a primeira e segunda colocação nos 1000 km de Suzuka em 1967. Para correr nos EUA a Toyota procurou Peter Brock, designer do Shelby Cobra Daytona, para preparar os carros, mas Carroll Shelby (sim, o Carroll Shelby) também se interessou e acabou conseguindo a parceria. Ele foi inscrito na categoria C/Production do Sports Car Club of America (SCCA), para carros com motor até 2 litros, correndo contra Lotus Elan, Alfa Romeo Giulia, Porsche 911 e Datsun 2000 Roadster.

A equipe de Shelby recebeu três unidades do esportivo, uma delas com número de chassi 10001, para serem preparadas, duas iriam correr e a terceira ficaria como carro reserva. Foram desenvolvidos novos cabeçotes e pistões para os carros de corrida, que elevaram a potencia do motor para em torno de 200 cv. A carroceria passou por poucas modificações, o interior perdeu o acabamento em madeira, o revestimento acústico e recebeu gaiola de proteção, bancos de corrida e célula de combustível. A suspensão ganhou novas barras estabilizadoras, molas e amortecedores Koni e rodas mais largas calçadas com pneus Goodyear de perfil fino desenvolvidos especialmente para o carro que baixaram a altura em 6 cm.

A estabilidade era a maior vantagem do 2000GT nas pistas deixando para trás o Porsche 911 em circuitos travados, mas o seis em linha japonês não era páreo para o boxer alemão nas retas. O 911 ficou na primeira colocação no campeonato de 68, com os dois Toytas de Shelby em segundo e terceiro. Os 2000GT correram apenas nessa temporada, no ano seguinte a Toyota voltou seus esforços para desenvolver o 7, que correria na CanAm. O carro reserva foi tomado de volta pelo fabricante e foi transformado em uma réplica de um dos carros de corrida japoneses, os outros dois continuaram nos EUA e se encontram em estado impecável até hoje.

Outra jogada de marketing da Toyota foi colocar o 2000GT no filme Com 007 só se Vive Duas Vezes, onde o espião britânico vai  ao Japão investigar o desaparecimento de um veículo espacial americano. Sean Connery, ator que interpretava James Bond media 1,86 m e ficava espremido no carro. Os dois carros fornecidos pela Toyota já estavam na Inglaterra sendo preparados pela produção quando perceberam isso, uma versão targa foi considerada, mas o ator ficaria comicamente com a cabeça pra fora do carro. A Toyota disse que encontraria uma solução e pediu que enviassem o carro de volta para o Japão. Em duas semanas os japoneses transformaram os carros em conversíveis e os mandaram de volta para os estúdios antes das gravações começarem.

Apenas 351 unidades do 2000GT foram fabricadas entre 1967 e 1970, sendo 109 com direção no lado esquerdo, 60 feitos para os EUA e nove com motor 2M de 2,3 litros, comando simples e 150 cv. As últimas unidades tinham cambio automático e ar condicionado. Hoje o 2000GT é altamente colacionável chegando a valer mais de 1 milhão de dólares em leilões.

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