Top 10 Driving Songs – Pipo’s Choice

 

Sejamos francos. A vida sem música seria muito chata! Não importa se você está sozinho ou acompanhado, feliz ou triste. Um bom fundo musical serve muito bem para complementar momentos, relembrar situações e ocasiões ou criar um clima. Logo, escutar uma boa música enquanto você está dirigindo é o casamento perfeito!

Porém, uma boa driving song não pode ofuscar sua atenção ao trânsito. Por exemplo, eu adoro “No One Knows” do Queens Of The Stone Age, mas toda essa potência vocal e instrumental faria você ficar mais Frank Martin e menos Hoke Colburn, o que poderia ser excitante mas faria você estrelar seu GTA da vida real.

O Vô já fez a parte dele, mas como alguns de vocês já sabem, nossas opiniões raramente batem (e a lista dele cheirava a naftalina), resolvi dividir com vocês a minha opinião sobre (algumas) canções legais para ouvir enquanto você guia o possante. Foi praticamente impossível chegar em um número tão pequeno, mas aqui estão. Conto com a compreensão de vocês. Espero que elas sejam úteis. Divirtam se!

10: Arctic Monkeys – Who The Fuck Are Arctic Monkeys?

Logo de cara vou mandar uma das minhas bandas favoritas. Esses caras de Sheffield têm diversas músicas legais para se ouvir no carro. A grande maioria de suas boas canções são dos dois primeiros álbuns da banda. O que não significa que tenham se tornado ruins. Talvez apenas comerciais demais (caso dos dois álbuns mais recentes) ou por terem criado maturidade e seu som tenha perdido a essência irresponsável dos jovens. Pensei bastante em colocar a animada “Fake Tales Of San Francisco”, a caótica (e quase violenta) “Brianstorm” ou ainda o ótimo cover de “You Know I’m No Good” da Amy Winehouse. Contudo, “Who The Fuck Are Arctic Monkeys?” cabe melhor no propósito da lista e de quebra me lembra de um divertido e repentino rolê com dois colegas numa ensolarada tarde de domingo no meu velho (e não tão saudoso assim) Escort Hobby 1995.

Ouça também: “A Certain Romance“.

9: The Dave Brubeck Quartet – Take Five

Se a palavra classe tivesse que ser definida em uma música, seria essa. Suave e agradável, tem uma sonoridade que se encaixa em praticamente qualquer momento. Composto por Paul Desmond, esse incrível instrumental é o single de Jazz mais vendido de todos os tempos e ainda hoje, quase 60 anos após seu lançamento, ainda aparece ocasionalmente em rádios com programação mais adulta. Sua estrutura é inusitada, fugindo do lugar comum jazzístico que é o compasso quartenário e adota um compasso complexo (o 5/4, muito incomum nesse gênero). Não tem como não se deliciar com a graciosidade do piano de David Brubeck ou resistir à batucar o volante durante o trecho onde a bateria de Joe Morello é o foco principal. É a música ideal para quando você só quer sair para dirigir e espairecer.

Ouça também: “Blue Rondo A La Turk“.

8: Criolo & Emicida – Subirusdoistiozin

Como bom paulistano vou me dar ao direito de um certo bairrismo. Certa vez um amigo disse (sabiamente) que essa música é um perfeito resumo do que é a vida na periferia da cidade de São Paulo. Nela, Kleber Cavalcante Gomes (o rapper Criolo) relata muito bem essa existência. Repleta de gírias regionais, menciona carro e moto queridinhos dos malandros, crianças armadas, a música toca na ferida da violência e do comércio de drogas na Capital. O pacote é fechado com a gostosa energia vocálica dos cantores e uma boa instrumentação. A versão original também é gostosa de se ouvir no carro, porém essa fica muito boa de se ouvir com os vidros abertos e o volume bem alto. Se você curte esse tipo de música, ela com certeza vai te distrair do trânsito, o que pensando bem, talvez seja a intenção nesse caso.

Ouça também: “Não Existe Amor Em SP“.

7: The Clash – Rock The Casbah

Esse clássico da programação noturna da VH1 e também dos primeiros anos da MTV, surgiu quase por acaso. O baterista Topper Headon estava no estúdio sozinho brincando com o piano quando compôs esse trecho. Empolgado, gravou essa parte e também o baixo e a bateria. Depois que os outros membros da banda viram o resultado dessa brincadeira, começaram a trabalhar em cima disso, e, apesar de Headon também ter escrito uma letra para a música, John Strummer não gostou da direção que ela tomava (ao invés de um tema social, ela falava de pornografia) e a reescreveu em alguns minutos no banheiro do estúdio. Sua versão final é uma fábula um tanto debochada sobre o embargo à músicas ocidentais no Irã após a Revolução Islâmica de 1979. Muito legal de ouvir quando você começa o dia num humor particularmente muito bom. Sua escrachada vibração serve para acordar seus vizinhos enquanto você tira seu Cadillac da garagem cantando bem alto “…Shareef don’t like it/ Rock the Casbah, rock the Casbah…“. Eu já fiz isso. Foi épico!

Ouça também: “Train In Vain“.

6: The Sugarhill Gang – Rapper’s Delight

Tente repetir o “I said a hip hop/ The hippie to the hippie/ The hip, hip a hop, you don’t stop the rock/ To the bang bang boogie, say, up jump the boogie/ To the rhythm of the boogie, the beat…” do início da música no ritmo correto. Com absoluta certeza você irá falhar miseravelmente. Ainda que essa não tenha sido a primeira canção a conter rapping, fato que coube à “King Tim III (Personality Jock)” do grupo Fatback Band, foi a primeira a conter isso durante a íntegra dos vocais. Além disso, foi ela quem levou o Hip Hop para as rádios, casas e carros dos EUA e do mundo. Recomendo a versão original, com quase 15 minutos de duração de uma informal e divertida conversa entre três caras. Durante esse tempo você terá tempo mais do que suficiente para notar que o instrumental de “Good Times” do Chic é usado sem dó (e por sinal, sem autorização, o que rendeu um processo à gravadora dos rappers de New Jersey). É melhor apreciada quando entre amigos, sem moderação, com o volume no 11 e em um som que valorize os baixos e graves, como um bom Hip Hop merece.

Ouça também: “Apache (Jump On It)“.

5: The Offspring – Pretty Fly (For A White Guy)

Não importa sua idade, cor, sexo, opinião política, opção sexual ou até gosto musical. Se você já a ouviu mais de uma vez, dificilmente nunca deve ter se rendido ao seu “Give it to me, Baby” ou fingir que sabe falar espanhol repetindo aquele “Uno, dos, tres, cuatro, cinco, cinco, seis“. Eles grudam mais do que chiclete. Ou são mais pentelhos do que o branquelo que quer agir como um negro satiricamente retratado nela. Não vá entender que os caras estão criticando as pessoas de ascendência negra. A intenção aqui é tirar sarro de brancos bobões. O maior hit dessa banda californiana formada em 1984 (que se chamava Manic Subsidal até 1986) não saía das rádios. Sério: quando eu era mais novo e morava em São Paulo ela tocava com uma frequência absurda. Agora que falei isso, pegue seu Pinto e mostre para todos que você é bem legal (para um cara branco).

Ouça também: “Original Prankster“.

4: Cake – Long Line Of Cars

O Cake é uma banda de influências sonoras um tanto variadas. Country, Funk, Hip Hop, New Wave, Rock e até MPB (o vocalista John McCrea é fã de Tom Zé). Além disso, tem uma veia um tanto entusiasta. Fato que fica evidente nos títulos de algumas de suas músicas: “Motor”, “Stickshifts And Safetybelts” e “Wheels”, para citar alguns exemplos. No entanto, a grande sacada é que muitas vezes os carros não são exatamente sobre o que eles estão falando. À primeira vista “Long Line Of Cars” parece retratar congestionamentos em grandes cidades enquanto na verdade o tema é um relacionamento romântico mal resolvido. Aproveite para fazer jus ao nome dela e ouvir em uma longa fila de carros, tentando captar a metáfora tocada por McCrea e seus companheiros. Não é muito recomendável ouvir se você já estiver passando por uma crise de dor de cotovelo por causa da crush. Aí vai bater uma bad terrível e o resultado não seria legal.

Ouça também: “Short Skirt/ Long Jacket“.

3: Coldplay – God Put A Smile Upon Your Face

Tenho que admitir que não curto muito Coldplay. Acho a maioria de suas músicas tão depressivas quanto poemas de Edgar Allan Poe. Mas aqui temos um belo exemplo que (quase) tudo tem uma exceção. Essa música passa uma sensação de tranquilidade e entrega uma mensagem muito boa sobre não desanimar. Afinal, como Chris Martin canta, ninguém sabe para onde iremos e devemos estabelecer certos limites. O que fazemos ou o tempo que perdemos é consequência de nossos atos. No caso dessa canção eu poderia sugerir que ouça em ocasiões onde você não se sente bem com algo, quando tudo parece te jogar para baixo. Nessas horas você deve ser firme, afinal, Deus te deu estilo, te deu graça e colocou um sorriso em seu rosto.

Ouça também: “Clocks“.

2: Led Zeppelin – Carouselambra

A maior banda de todos os tempos não poderia ser excluída daqui. E olha… Foi muito difícil conseguir tomar uma decisão. Cogitei “Achilles Last Stand” e “The Song Remains The Same”, mas elas são para ouvir em situações de pé no porão. Pensei seriamente em várias outras também, entretanto porém cheguei à conclusão que os pouco mais de 10 minutos da pouco lembrada “Carouselambra” (a segunda gravação de estúdio mais longa do Led Zeppelin) mereciam estar aqui. Um pouco diferente do habitual da banda, onde os sempre tão marcantes vocais de Robert Plant ou os fantásticos riffs e solos da guitarra de Jimmy Page são relegados à um segundo plano imaginário. O sintetizador de John Paul Jones é quem rouba a cena. Falando em cenário, essa música é um verdadeiro convite para pegar uma estrada. De preferência à noite. Com pouco tráfego. E bem acompanhado. Poderia ser “Kashmir” (que sou absolutamente apaixonado) mas não… Odeio clichês.

Ouça também: “Rock And Roll“.

1: Racionais MC’s – Capítulo 4, Versículo 3

Na Bíblia existem diversas passagens do terceiro versículo do quarto parágrafo em vários de seus livros. Essa música não faz menção à nenhum deles especificamente, mas há outras referências bíblicas no álbum “Sobrevivendo No Inferno”. Elas estão na capa e na contracapa e também no título da música “Gênesis“, que serve de introdução para “Capítulo 4, Versículo 3”. A letra foi escrita por Edy Rock, Ice Blue e Mano Brown, e conta com a presença de samplers de R&B de respeito como “Pearls” da Sade, “Pride And Vanity” do Ohio Players, “Slippin’ Into Darkness” do War e “Sneakin’ In The Back” de Tom Scott & LA Express. Além de ter usado essas bases, foi sampleada em vários outros títulos do Rap nacional por nomes como Thaide & DJ Hum e Inquérito, entre outros. Se sua intenção for zerar a vida mitando miticamente pegue seu bombojaco e sua touca você deve que ouvir essa música na quebrada com os parças num Opala marrom (e em um volume digno de estourar os tímpanos). É bem capaz que mesmo quem não curta Rap saiba do que estou falando. Caso não, dê uma chance, deixe o preconceito de lado e escute esse som que, mesmo às vésperas de completar de 20 anos, ainda joga muitas verdades na cara da sociedade brasileira.

Ouça também: “Da Ponte Pra Cá“.

Bonus: Playlist com essas e outras boas músicas no Spotify.

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