Alguém Pediu Outras Driving Songs?

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Em Setembro passado eu e o revelamos para vocês nossas 10 driving songs preferidas. Como tive uma certa dificuldade em chegar num número tão baixo, conversei com o Vô sobre uma possível segunda parte, afinal sou neurótico compulsivo meio viciado em música. Depois de alguma insistência (e da promessa de que eu iria me comportar) ele acabou aceitando.

Já que ainda não sei ainda se realmente ficou interessado ou foi vencido pelo cansaço acho melhor não abusar. Dessa vez a lista vai ser mais curta. Ah, e aproveito para avisar vocês que eventualmente vou falar de música aqui no Revhead. Enfim, chega de enrolação, aí vão mais 5 músicas para ouvir no carro. Shall we begin?

5: Röyksopp – What Else Is There? (Trentemøller Remix)

Dona de uma letra obscura, é difícil ter certeza qual é a temática aqui. Há quem defenda que seja a vida, outros dizem que é a morte e alguns insistem que um amor não correspondido. Não vou ditar regra, cada um interpreta como achar mais conveniente. Com uma levada intimista e introspectiva, a versão original dessa música do duo norueguês é tipo um flerte entre o Trip Hop e o Shoegazing. Porém nessa lista irei usar a remixagem do produtor musical Trentemøller, onde o resultado é bem semelhante, mas ao mesmo tempo completamente diferente. A atmosfera criada faz você levar a parte do trip (viagem, em inglês) no nome do gênero musical ao qual ela pertence muito mais à sério. A música vai “crescendo” em seus ouvidos. Tudo parece ir se complementando aos poucos. Mesmo nos momentos onde temos muita coisa rolando ao mesmo tempo (batidas, vocais, ecos, diversos tipos de ruídos, etc) a sensação que temos é de estar em um tipo de ambiente controlado. Se deixe levar por ela e você vai “viajar” mesmo! Uma boa música para quem curte algo louco mas bem produzido.

Veja também: Eple.

4: Portishead – Sour Times

Vai mais um Trip Hop? Antes, um pouquinho de história: o gênero nasceu em Bristol, na Inglaterra, no finalzinho da década de 80 e geralmente é descrito como uma fusão entre o Hip Hop e a música eletrônica. Suas influências vão além disso e também encontram ramificações com o Soul, Funk, Jazz e Acid House. Junto com o grupo Massive Attack e o cantor Tricky, o Portishead (que originalmente era um duo formado por Beth Gibbons e Geoff Barrow) está entre seus pioneiros. O álbum de estreia do grupo, Dummy, lançado em Agosto de 1994, apresentou três singles. “Sour Times” foi um deles e ainda serviu de inspiração para um curta metragem no estilo noir escrito pelos próprios membros da banda. A música conta com samplers de “Spin It-Jig” de Smokey Brooks (percussão) e “Danube Incident” de Lalo Schifrin (percussão e guitarras). A precisão minimalista dos instrumentos e da mixagem divide sua atenção com o vocal de Gibbons, que transparece pesar e sensualidade ao mesmo tempo. Recomendo ouvir em um som de qualidade para não perder seus detalhes.

Veja também: Silence.

3: Lalo Schifrin Feat. Busta Rhymes – Shifting Gears/ New York Shit

Bóris “Lalo” Claudio Schifrin é um pianista, compositor, arranjador e condutor jazzista argentino que já compôs músicas para inúmeros filmes de Hollywood. Trevor George Smith Jr. é um ator, produtor e cantor americano que você provavelmente deve conhecer como Busta Rhymes. Ainda que ambos vivam nos EUA é bem provável que nunca tenham se cruzado pessoalmente, mas graças ao DJ e produtor musical escocês Vigilante eles se encontraram em um ousado projeto que uniu as músicas da trilha sonora de Bullitt compostas por Schifrin e as gravações acapella de Rhymes. O resultado é uma mistura que pode parece não dar liga mas é bem legal. Justamente o inusitado é o que torna surpreendente. O tipo de música que eu gostaria de ouvir antecedendo a famosa cena de perseguição se um dia fizessem um remake do filme. POR FAVOR, QUE ISSO NUNCA ACONTEÇA! Me impressiona como o instrumental dos anos 60 caiu bem com as batidas e a letra quase quatro décadas mais novas. Uma prova de quem gosta de música de verdade não deixa gêneros e o tempo barrarem a criatividade.

Veja também: On The Way To San Mateo/ Get Down.

2: Yes – Roundabout

Rotatória. É isso o que significa roundabout. Cara, qual é o sentido disso? Bom, o vocalista Jon Anderson explicou uma vez que durante uma viagem entre Aberdeen e Glasgow, na Escócia, a van da banda passou por vários trechos montanhosos e ao longo do caminho haviam diversas rotatórias (mais de 40, segundo Anderson) e um lago perto do destino, o que acabou inspirando ele e o guitarrista Steve Howe. Isso e estarem muito loucos de maconha. A ideia era fazer uma música praticamente instrumental (com uma letra bem simples e curta) não muito extensa. Inicialmente contava com pouco mais de oito minutos, o que não é exatamente um lugar comum para outras bandas mas com certeza não é estranho vindo do Yes. A versão definitiva ganhou alguns segundos e a letra foi levemente alterada. Por ser longa, para tocar nas rádios perdeu mais da metade de sua duração e metade da fodacidade. Uma curiosidade: o som que marca o início da música é um Mi maior em piano reproduzido de trás pra frente. Louca, engenhosa, curiosa e fala justamente sobre viagem. Absolutamente perfeita!

Veja também: Owner Of A Lonely Heart.

1: Muse – Knights Of Cydonia

O título já é meio louco. Uma combinação que referencia os Quatro Cavaleiros do Apocalipse e uma região de Marte onde acredita se que já tenha existido vida (Cydonia Mensae). A música começa com um ruído que parece ter vindo direto de um filme de ficção científica, enquanto gradualmente surge o som de cavalos em disparada e um galopante riff de guitarra que “aparece” de repente. Se tudo isso soa muito estranho, é porque é mesmo. Mas acaba dando certo. Enquanto passeia por gêneros que variam desde Space Age Pop até Progressive Metal, temos uma letra com tom de luta pela defesa de ideais, a busca da liberdade e um ar de protesto. Seu clipe, dirigido por Joseph Kahn, entra nessa vibe e conta com cowboys, armas à laser, hologramas e até uma heroína em um unicórnio! DORGAS, MANO! Em apresentações ao vivo a banda costuma fazer uma introdução que cruza “Man With A Harmonica” e “The Grand Massacre” de Ennio Morriconne, músicas do clássico spaghetti western “Era Uma Vez No Oeste” (“Once Upon A Time In The West“, 1968) do cineasta italiano Sergio Leone.

Veja também: Stockholm Syndrome.

BÔNUS: Nina Simone – Sinnerman

Quando falamos de alguém conhecida por ter sido uma das mais importantes vozes do Jazz, uma exímia pianista e incansável ativista civil, você já espera algo não menos do que impressionante. Não é exagero afirmar que Eunice Kathleen Waymon (nome de batismo de Nina Simone) foi uma das mais importantes e influentes cantoras da história. E nessa reinterpretação de uma canção tradicional afro americana temos um belo exemplo de toda essa aura que a cerca. Uma música que não parece ter sido feita para ser apenas escutada e sim para ser sentida. Durante seus pouco mais de 10 minutos temos uma manifestação intensa e repleta de emoção. As crenças religiosas e o fervor político da cantora são as forças regentes aqui. Ela parece estar condenando não só os pecados da sociedade como um todo, mas também os seus próprios. Essa música já apareceu diversas vezes no cinema, na TV e até em propagandas de carros. Por sinal, acho o álbum “Pastel Blues” um tanto injustiçado e sempre recomendo à quem gosta de Jazz e Blues escutá lo ao menos uma vez na vida.

Veja também: I Put A Spell On You.

Bônus: Playlist no Spotify com todas as músicas das duas partes e uma a mais de brinde.

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